Direção: Victor Ribeiro
Câmera: Victor Ribeiro e Antonio Carlos
Produção Executiva: Justiça Global e PACS
Produção: Rio40Caos
Distribuição: Bombozila

Em 2006, começou a ser instalado o Rio de Janeiro um polêmico empreendimento. O projeto da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) foi negado em outros países e estados, por representar um modelo de desenvolvimento ultrapassado e poluente. O Rio de Janeiro – a cidade que agora recebe a Rio+20 com o discurso de busca de alternativas aos impasses ambientais – acolheu prontamente a megasiderúrgica, oferecendo inclusive incentivos fiscais.

Instalada na região de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, a TKCSA é o primeiro de uma série de empreendimentos que tomam corpo na Baía de Sepetiba – região de riqueza ambiental que já figurou entre as 25 de maior biodiversidade do mundo. Entrou em operação em 2010, mesmo após forte resistência da população local, e sem ter cumprido uma série de exigências ambientais. A partir de então, os danos foram de tal forma impactantes, que nem o Estado consegue defender o empreendimento publicamente.

Mesmo a Vale, dona de 24% das ações da empresa, declarou recentemente, através de Clovis Torres, consultor geral, que a mineradora não vende sua parte “porque ninguém quer comprar”. E o prefeito Eduardo Paes (PMDB) deu declarações, em 2011, de que “se dependesse dele, não autorizaria a instalação da empresa”. Segundo o próprio prefeito, a empresa gera poucos empregos, polui muito, e não paga impostos. Paes só não contou que uma de suas primeiras ações como prefeito tenha sido conceder isenção fiscal à empresa.

As emissões de ferro-gusa – chuva de prata como é conhecido pela comunidade – já levaram a epidemias de doenças de pele, enfermidades respiratórias e infecções nos olhos. Dejetos lançados na Baía pela antiga empresa Ingá, impacto que estava sendo vencido pela ação da natureza, foram revolvidos pela TKCSA e voltaram a causar danos. Em uma região específica de Santa Cruz, o desvio de água estava causando frequentes enchentes. Muitos moradores abandonaram suas casas. A mobilização popular tem impedido que a licença definitiva de operação seja concedida. No entanto, várias ações por parte do Estado, como o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), onde a empresa teoricamente assume o compromisso de ajustar a sua conduta às exigências da lei, mas que na pr´tica tem representado uma flexibilização do licenciamento ambiental, levam entidades a afirmarem que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) favorece o empreendimento. A maioria dos pescadores e moradores e moradoras ainda aguardam as merecidas indenizações.

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