De 15 a 17 de junho, comunidades e entidades da sociedade civil guiarão ativistas, jornalistas e pesquisadores por três empreendimentos de forte impacto socioambiental na região metropolitana do Rio de Janeiro.
O objetivo do grupo é mostrar que, na mesma cidade que promete redefinir os marcos ambientais do planeta, estão sendo erguidos ou tocados uma série de megaprojetos na contramão do discurso oficial.

A jornada, batizada de Rio+Tóxico, visitará Santa Cruz, Duque de Caxias e Magé, áreas afetadas pela
siderúrgica ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) e pela refinaria de Duque de
Caxias REDUC-Petrobrás. Outros destinos são a Área de Proteção Ambiental de São Bento e o Aterro
Metropolitano de Jardim Gramacho, o maior da América Latina. Os visitantes participarão de reuniões
e visitas, e poderão fazer entrevistas com lideranças e moradores locais. Os ônibus partem da sede do
BNDES, no Centro do Rio, de onde sai também grande parte do financiamento desses empreendimentos tóxicos.

Localizada na Baía de Sepetiba, a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) se instalou no Rio após ser negada em outros Países e estados do Brasil. A siderúrgica despeja partículas de ferro-gusa e emite toneladas de gás carbônico no ar, suficientes para aumentar as emissões na cidade do Rio de Janeiro em 76%. Isso tem afetado a saúde e o meio ambiente dos moradores e pescadores da região em um nível tão elevado que se tornou um problema para a sede da empresa, na Alemanha.

Já a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), inaugurada há 50 anos, e o Pólo Petroquímico que se formou ao seu redor se tornaram ao longo do tempo um dos maiores poluidores da Baía de Guanabara, afetando não só plantas e animais, mas também a saúde e os modos de vida das populações no seu entorno. Em 2000, um grande vazamento despejou 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, trazendo à tona o custo social e ambiental do empreendimento.

Ainda em Caxias o roteiro inclui uma visita à Área de Proteção Ambiental de São Bento, ao Aterro
Metropolitano de Jardim Gramacho – o maior aterro sanitário da América Latina, desativado em junho – e a Cidade dos Meninos, um dos casos mais emblemáticos de injustiça ambiental. O problema, que se arrasta por 50 anos, envolve os resíduos de inseticidas abandonados no local e diversos atores sociais.

Entre os dias 20 e 22 de junho, acontecerá no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que pretende ser um novo palco para a redefinição dos marcos da política ambiental internacional.

A Cúpula dos Povos acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo – paralelamente
a Rio+20. O evento agrega uma série de organizações da sociedade civil e movimentos sociais de todo
o mundo, com o objetivo de oferecer soluções reais ao impasse ambiental planetário, desvinculadas do projeto neoliberal de financeirização da natureza que está sendo oferecido pelos defensores da “economia verde” na Rio+20.

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